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PENSAMENTO DE ERNESTO MELO ANTUNES
"Candidatura
Independente às eleições para Deputados em 1969. Declaração de Ponta
Delgada"
Ponta Delgada, Açores, 21 de Janeiro de 1969
Arquivo Ernesto Melo Antunes
Um grupo de cidadãos do Distrito de Ponta
Delgada – ou que à cidadania pretendem ascender, apresentar uma lista de
Candidatos Independentes no pleito eleitoral de Outubro de 1969, isto é
nas próximas eleições para Deputados da Assembleia Nacional.
Esta decisão resultou, como decorre do que se
afirma de uma reflexão colectiva. É que, ponderadas certas constantes da
vida política nacional das mais recentes décadas e analisadas com o
rigor possível as características conjunturais do período histórico de
transição que o País atravessa, uma conclusão parece obter, no consenso
da maioria, total assentimento: mais do que nunca se torna necessário, e
mais do que necessário se torna um dever, participar pelo único modo
constitucionalmente possível, através da consulta do eleitorado, no
governo da Nação.
Efectivamente, após a longa hibernação
política a que os portugueses estiveram sujeitos, impedidos de autêntico
diálogo com o poder, privados de exercerem, na prática, a soberania que
de direito lhes é reconhecida na Constituição, ao fim desse tempo de
“paz” e de “ordem”, que só o foi realmente na aparência - ao ponto de
podermos retomar, sem grande risco, o termo de “desordem estabelecida”
para o caracterizar – um interregno parece actualmente viver-se.
Iniciado no dia em que o Presidente da República, usando de faculdade
que a Constituição lhe confere, teve de escolher novo Presidente do
Conselho, em virtude do perigoso vazio político que a incapacidade
física de Salazar havia criado, esse interregno irá estender-se, se
outros factores não intervierem, até às próximas eleições para deputados
de Outubro de 1969. Será esse acto político, da maior importância para a
vida da nação, que irá decidir, entre outras coisas, da continuidade da
linha constitucional; será através dele que o governo de Marcelo Caetano
tentará obter a base popular indispensável ao exercício do poder, uma
vez que é manifesto não dispor esse governo, durante o período de
transição, senão da autoridade que lhe advém por inerência do que
poderíamos chamar a II República.
Sinais vários levam a crer, de facto, que é
muito mais aparente do que real a estabilidade governativa no momento
presente. Ameaças bem visíveis de vontade de conquista do poder através
de um golpe palaciano por parte de grupos minoritários de extrema
direita, apoiados em grupos de pressão financeira – estes, por sua vez,
ideologicamente ligados às correntes de pensamento mais retrógradas que
ainda pontificam no nosso país – fazem perigar extraordinariamente a
possibilidade de normalização da vida política nacional. A instauração
de um regime autoritário no próprio momento em que tantas esperanças de
uma vida política autêntica foram suscitadas, teria efeitos desastrosos,
difíceis de calcular em toda a sua extensão, mas que poderiam atingir
inclusivamente as culminâncias de uma guerra civil. Ora, a paz social, a
estabilidade governativa e até a autoridade necessárias à edificação de
uma sociedade em que sejam finalmente respeitadas as liberdades
fundamentais e garantido o clima de tolerância e convivência humana que
permita a participação de todos no esforço colectivo e livre de
realização a todos os níveis, só poderão atingir-se quando um governo
tiver obtido a base social suficientemente ampla que lhe dê a
possibilidade de governar sem a interferência de grupos de pressão,
sejam eles de que natureza forem.
Tem-se assim a consciência de que escolhendo a
via legal de intervenção activa, se presta, antes de tudo o mais, um
serviço não desprezível ao Governo actualmente no poder. E se pelo Chefe
desse mesmo governo foi pedido aos Portugueses um crédito aberto à acção
governativa, o mínimo que os Portugueses podem, em contrapartida, exigir
de condições para esse crédito, aliás prontamente outorgado, é a
faculdade de, com todas as garantias de segurança e liberdade, exercer o
seu direito cívico à soberania de que serão detentores através de
representantes livremente escolhidos.
Deste modo, convencidos de que a um largo
período de imobilismo e silêncio sucede um outro regido por novos
critérios de acção, embora iluminados por uma mesma filosofia política,
e que o governo de Marcelo Caetano – por imperiosas razões tácticas
ditadas pela necessidade de alargar, em extensão e em profundidade, as
bases morais do regime de forma a obter o apoio da Nação e consolidar o
seu próprio poder – se mostrará digno da confiança que nele se deposita,
somos levados a admitir que se oferece aos Portugueses oportunidade
única de conquistar os seus direitos de intervenção e participação na
vida governativa, contribuindo de modo extremamente importante para o
saneamento das nossas instituições e para a instauração de uma vida
política e cívica liberta dos fantasmas paralisantes que demasiados anos
de exercício de poder autocrático instalaram entre nós.
Nestes termos, abstraindo desde já de toda e
qualquer filiação política partidária, pretendemos apresentar-nos ao
eleitorado do Distrito como um grupo de cidadãos independentes, isto é,
não comprometidos politicamente, mas reivindicando o direito de pensar
livremente e de em liberdade exercer uma crítica que reputamos
indispensável ao funcionamento normal das instituições nas sociedades
civilizadas. Aspiramos a tornar-nos, por esta via, a voz verdadeiramente
representativa dos problemas do Distrito – problemas do homem concreto
que aqui vive e labuta, e todos as implicações de ordem política,
social, económica e técnica que da análise deles advém – sem deixarmos
de pensar que esses mesmos problemas terão de integrar-se num contexto
de soluções muito mais vasto, à escala nacional, cujas linhas de força
constituem a orientação pragmática que anima a nossa vontade de
intervenção e que tem, em traços necessariamente gerais, o enunciado que
segue.
I Direitos, Garantias e
Liberdades Fundamentais.
(a) Liberdade de expressão do pensamento e
sua difusão sob todas as formas, especialmente pela Imprensa, Rádio e
Televisão.
O sistema que, até ao presente, impediu os
cidadãos com ideias não copiadas dos figurinos oficiais de manifestarem
abertamente suas opiniões, sistema que privou a Nação, por largo tempo,
do concurso de tantos homens válidos em todos os domínios, desde os
governativos e administrativos até aos culturais, não pode persistir sem
grave ofensa do fundamental direito do homem a realizar em liberdade e
dignidade o seu destino responsável de ser ontológica e socialmente
livre.
Em particular, e com vista a alcançar uma
autêntica liberdade de informação e uma livre circulação de ideias que
contribuam para converter os portugueses, de simples espectadores
indiferentes da vida da colectividade a que pertencem, em agentes
activos do seu próprio destino, insistir-se-á na elaboração de uma nova
Lei de Imprensa.
(b) Liberdade de reunião e associação.
São por demais conhecidas as condições em que
os Portugueses têm vivido, em matéria de liberdade e de reunião e
associação, para que valha a pena referir em profundidade o que de
degradante representa para nós a inexistência, na prática, desse direito
fundamental, ainda que previsto na Constituição. Será necessário impor
legislação adequada, com vista a eliminar as causas que têm privado os
cidadãos de usarem livremente o direito fundamental de, se reunir ou
associar com fins de natureza social, económica, cultural, religiosa ou
política. É indispensável destruir para sempre os germes do medo
paralisante ou a apatia instituída que em Portugal mutila os cidadãos ao
ponto de terem não só deixado de saber pensar livremente, isto é, com
espírito crítico, como ter desaparecido quase por completo o gosto, a
vocação e a vontade de associação e, por conseguinte, de cooperação ou
seja de acção autenticamente social.
De modo muito especial se insistirá no direito
à formação de sindicatos livres, com direcções eleitas pelos
trabalhadores e actividade por estes regulada e controlada. Os
sindicatos deverão passar a constituir o centro de toda a vida social
dos trabalhadores, competindo-lhes fundamentalmente:
1.
Participação na elaboração, discussão e
decisões sobre tudo o que concerne à gestão da actividade económica das
empresas, desde a produção à distribuição dos rendimentos.
2.
Defesa dos direitos de classe, pelo que
deverão dispor de personalidade jurídica reconhecida e autoridade
suficiente para negociar com o patronato em condições de igualdade.
Entre os referidos direitos, inclui-se o fundamental o hoje
incontroverso direito de greve, embora se reconheça a necessidade do
mesmo ser condicionado às exigências do desenvolvimento harmónico e ao
equilíbrio da vida social.
3.
Participação activa em todas as
decisões em matéria de previdência social e lazeres: assistência médica,
medicamentosa e hospitalar, previdência na invalidez e velhice, política
de habitação, ocupação dos tempos livres e férias.
4.
Participação na formação profissional e
cultural dos trabalhadores, com vista não só a uma autêntica valorização
humana como à indispensável acção, desde a base, para um esforço
consciente dos trabalhadores em qualquer processo de desenvolvimento.
(c) Amnistia de todos os presos políticos e
regresso ao seio da comunidade nacional de todos os que se encontram
afastados, por divergências de opinião com o regime.
Baseia-se este ponto no nosso profundo
convencimento de que o clima de convivência e tolerância mútua que já
tem sido oficialmente anunciado não será uma realidade prática sem a
restituição à liberdade daqueles que, por delitos de opinião, foram
julgados e condenados por tribunais de excepção. Salienta-se, do mesmo
passo, a necessidade urgente de recuperação de todos os valores humanos,
como é o caso de cientistas, artistas, escritores, homens de pensamento
e acção que tiveram de procurar no estrangeiro condições de trabalho que
na própria Pátria viram recusadas.
(d) Garantias reais dadas à Assembleia
Nacional de, em toda a liberdade debater as questões fundamentais da
vida da Nação – quer as relativas à política externa quer as de política
interna, incluindo a questão ultramarina que tem sido desde 1961, e
continua a ser, o problema mais grave da vida portuguesa.
Proclamamos assim a nossa convicção de que ao
órgão legislativo clássico compete igualmente e principalmente o
controle efectivo das decisões governamentais que em caso algum podem
ser consideradas como infalíveis; e que nestas circunstâncias, a
orientação seguida pelo executivo terá que ser submetida à crítica dos
representantes da nação a quem cabe, em última análise, exercer a
soberania.
II Desenvolvimento Económico e
Promoção humana e Social.
Não menos fundamental que o ponto I focado
nesta Declaração, e que em muitos aspectos dele depende ou com ele
mantém relações muito estreitas, importa definir, se bem que em traços
gerais, linhas de rumo do que supomos possa constituir o processo de
desenvolvimento económico em ritmo acelerado, que o país terá de sofrer
se não quiser ver alargar-se cada vez mais o fosso que o separa dos
países evoluídos do continente europeu e se realmente, na prática,
quiser ver realizados princípios de justiça social que sectores
esclarecidos têm insistentemente defendido, cada vez com mais vigor.
Começaremos, para definir resumidamente uma
situação, por perguntar como o fez recentemente autor de prestígio:
“Mas quem somos nós?” e de acordo com o mesmo autor, responderemos:
“Entre 16 países da Europa (e é com a Europa que vale comparar-nos),
somos o penúltimo na capitação do consumo de energia: depois de nós, só
a Turquia. Somos o antepenúltimo na capitação do consumo de aço: depois
de nós só a Grécia e a Turquia. Somos a penúltimo nas taxas de
escolarização: depois de nós só a Turquia. Somos o último na proporção
do número de alunos do ensino superior para o conjunto da população:
depois de nós, ninguém. Somos o penúltimo na capitação do consumo de
carne: depois de nós só a Turquia. Somos o último na capitação do leite,
o último na capitação diária de calorias, o último na capitação diária
de proteínas, o penúltimo na capitação de gorduras (depois de nós só a
Turquia). Somos ainda o antepenúltimo na relação entre o número de
médicos e o número de habitantes (depois de nós só a Jugoslávia e a
Turquia) e o penúltimo na capitação de dias de doença indemnizados pela
previdência social (depois de nós só a Turquia). Exceptuando a Turquia,
somos também o país onde as taxas de mortalidade infantil e peri-natal
se apresentam ainda mais altas”.
Se a esta série de indicadores alinhados, que
nos dão já uma ideia do que Portugal é na Europa, juntarmos a informação
de que o rendimento “per capita”, em Portugal, era em 1954 de 150 a 200
dólares por ano em confronto, por exemplo, com a Espanha, Grécia e
Turquia cujos rendimentos oscilavam entre 200 e 300 dólares e que, se
exceptuarmos a Turquia, o nosso atraso relativo se mantém (apesar de,
entre 1960 e 1965, o produto nacional bruto por habitante atingir 420
dólares) em virtude dos índices de crescimento que apresentamos serem
insuficientes para colmatar a brecha já existente, ter-se-á uma noção
bastante aproximada, embora necessariamente incompleta, do baixo nível
de vida do povo português e do atraso económico em que se encontra
relativamente à maioria dos países do continente europeu.
Baixo nível de vida e atraso económico,
expressos através da linguagem seca de números e indicadores, são
simultaneamente o reflexo e a consequência de uma situação
sociologicamente bem definida e que pode esquematicamente ser
caracterizada por:
(a)
Baixíssimo nível cultural e
profissional da esmagadora maioria da população activa, nomeadamente
operários, camponeses, pescadores e pequenos empregados.
(b)
Espectacular desigualdade de condições
económicas e, por conseguinte, sociais, dos operários em relação a
camadas da população mais favorecidas e de que resultam consequências
várias, nas quais avultam: tensão social permanente mantida
artificialmente em equilíbrio pelo recurso exaustivo a meios exteriores
ao dinamismo específico do processo sócio-económico; enorme carência de
mão-de-obra qualificada nas actividades industriais, desinteresse
generalizado dos operários pelos mecanismos de produção por falta de
estímulos adequados.
(c)
Persistências, no campo, de formas
sociais arcaicas, traduzindo-se em: desníveis extremos na repartição dos
rendimentos e, por conseguinte, na miséria generalizada dos camponeses;
conservação de uma sociedade paternalista e autoritária na qual os
camponeses – assalariados, rendeiros e pequenos proprietários – não
tendo perdido inteiramente a mentalidade de servos-da-gleba, estão muito
longe de pensarem, agirem e viverem como seres humanos livres e
conscientes da sua fundamental dignidade de homens.
(d)
Emigração para os países mais evoluídos
da Europa e da América de grandes massa de trabalhadores, privando o
país de um capital humano absolutamente indispensável ao seu progresso
material, num processo de crescimento acelerado.
Não se pretende insinuar que deve ser
limitado, nas condições concretas da sociedade portuguesa actual, o
direito inalienável de todo o homem a emigrar, em busca de melhores
condições de vida e de trabalho. Mas não podemos deixar de denunciar uma
estrutura que tem sido incapaz de oferecer a muitos milhares de
portugueses essas mesmas condições na sua própria Pátria.
(e)
Debilidade ideológica de uma classe
média detentora de certa capacidade de realização, mas economicamente
submetida à pressão dos grandes interesses monopolistas, incapacitando-a
de assumir o papel de classe dirigente.
(f)
Desigualdades sociais muito
pronunciadas que se verificam entre dois ou três centros urbanos onde se
concentram actividades industriais em relativa expansão (e onde, por
vezes, se goza de uma ilusória sensação de progresso) e o restante
território, com actividade predominantemente agrícola, em situação de
grande atraso.
Todo este condicionalismo obriga
necessariamente a um decisivo arranque em direcção ao desenvolvimento
económico e, por consequência, à promoção humana e social, finalidade
última de todo o autêntico desenvolvimento. Para esse arranque supomos
fundamentais (embora não as únicas) as seguintes vias, que constituem no
seu conjunto a orientação a seguir:
(1)
Existência de um aparelho político
aberto às grandes correntes de opinião, liberto da acção corrosiva e
paralisante de grupos influentes, sejam eles de que natureza forem e
apto a planificar a economia de acordo com os superiores interesses
nacionais e as necessidades concretas do povo.
(2)
Existência de um órgão legislativo que
seja de facto representativo dos interesses, aspirações e necessidades
reais do povo português, e se converta num instrumento eficaz de diálogo
com o poder executivo e de controle institucional da sua acção.
(3)
Reforma profunda das estruturas
administrativas e burocráticas de modo a torná-las adaptadas às
exigências de um desenvolvimento acelerado e suficientemente flexíveis
para se manterem actualizadas durante a evolução de todo o processo:
(4)
Reforma de todo o sistema de ensino e
em particular da Universidade. Trata-se, não só da necessidade de uma
profunda transformação das estruturas mentais da sociedade portuguesa,
como da urgência na obtenção dos quadros indispensáveis ao processo de
desenvolvimento.
(5)
Reconversão das estruturas agrárias, em
ordem a um dimensionamento ajustado a necessidades imperiosas de
racionalização da produção e, em consequência, a um aumento de
produtividade no sector agrícola, fazendo-o sair do estado de estagnação
em que se encontra.
(6)
Aceleração do processo de crescimento
no sector industrial, planificando-se a produção de acordo com as
necessidades reais, quer de natureza económica quer social, e não em
função dos interesses particularistas de grupos majestáticos.
A industrialização deverá caminhar a um tal
ritmo que resulte harmónico com o crescimento do sector primário e por
forma a ser, fundamentalmente o seu natural prolongamento – primado das
indústrias médias e ligeiras sobre as pesadas.
(7)
Utilização prudente de capitais
externos, aplicando-os sob forma de empréstimos ao Estado, em fins
reprodutivos, de modo a contribuírem eficazmente no processo global de
desenvolvimento (desde que não sejam acompanhados de condições
políticas) e resistência à penetração de capitais privados em virtude da
corrente inversa a que dará lugar, sob a forma de lucros, logo após um
primeiro momento de euforia nos sectores em que tiveram sido investidos.
(8)
Aproveitamento integral, e subordinado
aos superiores interesses nacionais, de todos os recursos naturais
(exploração do subsolo, agricultura, pesca, recursos energéticos) e
humanos, no esforço de desenvolvimento.
Não se pretende com este enunciado,
estabelecer doutrina definitiva em matéria de desenvolvimento. Estamos
cientes que grande número de aspectos não foram considerados com o
devido relevo (alguns de extrema importância, como o da participação
activa e consciente dos trabalhadores em todo o processo de crescimento
e o problema da cooperação ao nível da produção, do consumo ou da
prestação de serviços); outros, por serem de carácter eminentemente
técnico e decorrem em grande medida como consequência necessária das
linhas de rumo traçadas, nem sequer foram mencionados. Tal não era
porém, o nosso escopo. Somente quisemos realçar alguns aspectos que
consideramos vectores essenciais de um processo que terá d integrar-se
numa estratégia global a ser definida por direcção política responsável.
Resta-nos acrescentar que não reduzimos o
progresso da vida social a um simples economismo. Acreditamos na
possibilidade de uma promoção do homem, tanto pela ruptura das condições
objectivas que são actualmente o motor da sua alienação como pela
transformação das condições subjectivas que o impedem de ascender à
condição real de homem livre, consciente, responsável e digno.
III A Problemática Distrital
Chegamos, enfim, ao enunciado de certos
problemas fundamentais ao nível regional, problemas que hão-de
constituir, na generalidade, pontos fulcrais do combate a travar na
Assembleia Nacional por deputados saídos de uma candidatura
independente.
Não cabe nos limites de uma Declaração, ainda
que pragmática, o estudo exaustivo das condições concretas em que vivem
os habitantes das Ilhas de S. Miguel e St.ª Maria. Sem prejuízo porém,
de estudos em pormenor que a seu tempo serão feitos e cujos resultados
serão divulgados, eis algumas questões que podem considerar-se como
básicas e que definem a situação económico-social do Distrito:
(a)
Baixíssimo nível de vida da maioria
esmagadora da população do Distrito, sobretudo a rural, piscatória e
operária, o que se traduz em problemas sociais da maior gravidade, como
sejam:
1.
– Subalimentação generalizada.
2. - Condições infra-humanas de habitação, em
especial em determinados centros piscatórios e freguesias suburbanas.
3.-
Impossibilidade de acesso a uma assistência médica eficiente,
praticamente nula na maior parte das zonas rurais e piscatórias, a par
de deficiências graves nas formas de assistência hospitalar e
medicamentosa em vigor.
4.– Emigração
de fortes contingentes de trabalhadores para o continente americano
(E.U.A., Canadá e Bermudas, especialmente).
(b)
Nível cultural muito baixo e aptidões
técnicas extremamente reduzidas da grande miséria da população activa,
em particular camponeses, pescadores e operários.
(c)
Deficiente estrutura administrativa,
moldada em um “estatuto de autonomia” ultrapassado, altamente lesivo dos
interesses gerais e ambições de progresso do Distrito.
(d)
Insuficiente produtividade do sector
agrícola, em relação ao volume de mão-de-obra empregue, o que é devido,
não só à propriedade mal dimensionada como à enorme carência de
estruturas de apoio e técnicas adequadas de gestão e organização da
empresa agrícola.
(e)
Reduzida industrialização, o que em
parte é resultante de uma tradicional timidez dos detentores de
capitais, mas se deve também, e principalmente, tanto à falta de
programação eficaz como à falta de encorajamento por parte das entidades
responsáveis (órgãos de administração local, deputados, organismos
económicos), através de uma luta sistemática junto dos centros de
decisão, para obtenção de garantias capazes de estimular o sector
privado.
(f)
Entraves poderosos à prosperidade do
comércio e, dum modo geral, à circulação de pessoas e mercadorias, em
virtude de:
1º - Baixo poder de compra de grande maioria
da população.
2º - Ultrapassado sistema de barreiras
alfandegárias entre o Continente e as Ilhas, e entre as próprias Ilhas.
3ª – Sistema altamente deficiente de
transportes marítimos e aéreos entre Ilhas, e entre estas e o
Continente.
(g)
Insuficiente electrificação, donde
derivam duas consequências muito importantes:
1ª – Limitação à industrialização e à criação
de estruturas básicas no sector agrícola.
2ª – Impossibilidade de acesso aos benefícios
da civilização de grande parte da população do Distrito.
(h)
Deficiências graves em todo o ensino:
inexistência de estabelecimentos de ensino médio para a formação de
quadros técnicos indispensáveis ao progresso económico; falta de entrada
em vigor da 5ª e 6ª classes nas escolas primárias; ausência de condições
para a fixação de quadros de professores qualificados do ensino
secundário e técnico no Liceu e Escola Técnica de Ponta Delgada.
Ora, tendo em consideração que são os
problemas regionais aqueles que mais directa e vivamente afectam as
populações residentes nas Ilhas de S. Miguel e Stª Maria – não
esquecendo todavia, que o essencial deles envolve uma problemática à
escala nacional que foi nas suas grandes linhas esboçada nesta mesma
Declaração – julgamos que deverão ser as questões seguintes, indicadas
de forma esquemática, aquelas por que se devem bater os Deputados
Independentes, em prol do progresso das Ilhas que representam e da
resolução dos gravíssimos problemas sociais e humanos dos seus
habitantes:
(1)
Revisão e reforma profunda do Estatuto
das Ilhas Adjacentes em ordem a alcançar-se, entre outros, os seguintes
objectivos:
1º - Corpos directivos das Juntas Gerais
eleitos democraticamente (sufrágio directo e universal) pelas populações
interessadas e estrutura das Juntas que permita representação adequada
das diferentes camadas e interesses da população.
2º - Libertação do encargo imposto às Juntas
de suportarem as Despesas provenientes dos “Serviços de Estado” (em
particular, o Ensino), e aplicação das Receitas assim libertas em
investimentos reprodutivos de interesse público.
3º - Obtenção de novas fontes de receita para
fins de fomento.
4º - Criação de órgãos técnicos
especializados, tendo em vista a investigação, planeamento e apoio
eficiente às estruturas económicas.
(2)
Planificação da actividade económica o
nível do Arquipélago, realizada por órgão permanente, independente das
Juntas Gerais, mas trabalhando em íntima colaboração com elas.
(3)
Enquanto não for executada reforma de
estruturas agrícolas ao âmbito nacional, promover:
1º - O estabelecimento do salário mínimo do
trabalhador rural (assalariado).
2º - A revisão da Lei do Arrendamento Rural
com vista a obter-se, na prática, uma rigorosa limitação dos preços dos
arrendamentos em função da produtividade natural das terras e segurança
dos rendeiros, assim como aos proprietários, através de contratos de
arrendamento efectivos.
(4)
Estudo e planificação regional de todos
os graves problemas respeitantes à pesca: métodos utilizados;
comercialização; industrialização; situação social do pescador.
(5)
Liberdade de emigração em virtude das
condições objectivas actuais, impeditivas de ascensão económica e social
de grande parte da população trabalhadora.
(6)
Abolição das barreiras alfandegárias
inter-ilhas e entre o Continente e o Arquipélago e, simultaneamente,
obtenção de novas fontes de receita para as Câmaras Municipais.
(7)
Estruturação de um sistema económico e
eficaz de transportes entre as Ilhas e entre estas e o Continente, quer
por via aérea quer marítima, tendo em conta os interesses gerais da
população e não os de grupos influentes.
(8)
Estudo urgente do grave problema da
saúde pública com vista a tingir-se, a curto prazo, os seguintes
objectivos:
1º - Extensão da assistência médica permanente
às zona rurais e piscatórias.
2º - Melhoria das condições existentes em
matéria de assistência hospitalar e medicamentosa às classes mais
desfavorecidas.
(9)
Obtenção de condições de habitação mais
conforme com a dignidade humana, nas zonas onde tal problema constitui
hoje um autêntico cancro social.
(10)
Impulso à electrificação das ilhas de
S. Miguel e Stª Maria.
(11)
Promoção urgente de estudos visando à
criação de um Instituto Comercial, um Instituto Industrial e uma Escola
de Regentes Agrícolas, medidas que se afiguram indispensáveis ao
progresso do Distrito e dos Açores e à valorização humana de grande
parte da sua juventude escolar.
(12)
Defesa dos preços dos produtos
agrícolas e pecuários e organização do seu escoamento no mercado interno
e internacional.
(13)
Estudo de garantias a alcançar
relativamente aos produtos da indústria, quer em preços quer em mercados
e criação de estímulos à industrialização de produtos agrícolas e de
matérias-primas importadas (indústrias médias e ligeiras produtoras de
bens de consumo corrente).
(14)
Criação do organizes capazes de
estruturar e pôr em prática uma desenvolvida indústria de turismo.
(15)
Estruturação do problema do artesanato
em bases racionais, de modo a solucionar não só a colocação dos produtos
nos mercados interno e internacional como também, e principalmente, a
grave situação social da população produtora.
(16)
Estudo de condições capazes de atrair e
fixar quadros qualificados de professores, tanto par o Liceu e Escola
Técnica como par os Institutos cuja criação se preconiza.
V Conclusões
Dirige-se a presente Declaração, em
particular, a todos os habitantes de distrito de Ponta Delgada. A muitos
parecerá estranho que um documento de tal natureza apreça em um meio
tradicionalmente alheio a lutas de carácter político, habituado a
receber do alto, sem crítica, todas as decisões que impliquem com o seu
destino. Ora bem. O nosso primeiro objectivo é exactamente sacudir o
torpor da gente açoriana, libertá-la do bloqueio moral, mais do que
geográfico, em que tem vivido e levá-la a compreender que o seu primeiro
dever, enquanto cidadãos, é a intervenção na vida pública para a defesa
dos seus próprio interesses, para a edificação de uma sociedade mais
justa e humana, a começar precisamente por aquela em que vive.
Com esta Declaração manifestamos pois, a nossa
vontade de participar e de connosco fazermos participar todos os outros.
Queremos assim contribuir, ainda que em modestas proporções, para um
Portugal mais livre e tolerante, par o erguer de instituições – uma
verdadeira III República com ideais de Ordem, Liberdade, Paz, Justiça
Social e Fraternidade deixem de ser palavras vãs, passem a ter conteúdo
concreto. Queremos, em suma, um Portugal melhor e maior, um Portugal
onde valha a pena viver.
Ponta Delgada, 21 de Janeiro
de 1969
Ass.
Abílio Moniz Faria, Trabalhador rural
Afonso Quental, sacerdote
Agnelo Soares de Almeida, Sacerdote
Agostinho de Sá Vieira, Advogado
Alcindo Manuel Pacheco F. da Silva, Estudante
Alfredo de Arruda Massa, Proprietário
Alírio Barbosa Lomeiro, Empregado de
Escritório
Álvaro Morgado Faria, Trabalhador rural
Albano Moniz Furtado, Estudante
Alberto Leonardo Pavão Nunes, Empregado de
escritório
Ana Maria da Ponte Soares Ferreira, Estudante
Angelino Almeida Páscoa, Agente Técnico de
Engenharia
António da Ponte Medeiros, Comerciante
António Borges Coutinho, Advogado
António Augusto Simas Damião de Medeiros,
Estudante
António Pereira da Câmara, Trabalhador rural
António de Melo, Canteiro
António da Câmara Jr., Proprietário
António Manuel Damião Medeiros Melo, Estudante
António Roberto de Aguiar Oliveira Rodrigues,
Estudante
Antónia do Rosário Correia Cabral, Estudante
António José de Medeiros Garcia, Mecânico
António José Dimas de Almeida, Pastor
Evangélico
António Pereira Rego, Sacerdote
António Raposo, Magarefe
António Joaquim C. Coelho, Engenheiro Químico
António Lopes Cabral, Industrial
António de Lemos Alves de Sousa Gomes, Médico
Veterinário
António Ferreira leite, Sacerdote
António Teixeira Pereira, Sacerdote
António Guilherme Francisco, Comerciante
António Armindo Tomé Andrade de Medeiros,
Estudante
António Moniz, Sacerdote
Armando Emanuel Monteiro da Câmara Pereira,
Prof. do Ensino Técnico
Arménio B. da Mota Soares, Farmacêutico
Arsénio Chaves Puim, Sacerdote
Bruno da Ponte, Jornalista
Baltazar Maria Pimentel Rebelo, Proprietária
Caetano Valadão Serpa, Sacerdote
Carlos António gago de Bulhão Pato, Estudante
Carlos Falcão Afonso, Estudante
Cláudina Medeiros Ferreira, Doméstica
Daniel Cordeiro da Costa Silva, Empregado de
escritório
Débora Furtado Lopes, Doméstica
Diniz Raposo Soares, Proprietário
Diniz da Silva Aguiar, Trabalhador rural
Duarte Santos, Sacerdote
Duarte de Sousa, Motorista
Eduarda Soares Alcântara, Doméstica
Eduardo da Câmara Soares de Albergaria,
Empregado Industrial
Eduardo José Azeredo Pontes, Escriturário
Eduardo da Silva Vieira, Estudante
Emanuel Chichorro de Medeiros, Funcionário
público
Eduardo Condeiro, Trabalhador rural
Fernando Roberto de Lima Azeredo Pontes,
Estudante
Fernando da Rocha Calixto, Advogado
Francisco Diniz de Melo Vasconcelos, Estudante
Francisco Espínola de Mendonça Carreiro,
Estudante
Francisco Manuel Botelho Nunes, Estudante
Francisco Pereira da Silva, Comerciante
Francisco Rodrigues Aguiar, Agricultor
Gabriela Maria da Câmara Athayde Motta Melo
Antunes, Doméstica
Gracinda Pereira Lopes, Doméstica
Hermano Manuel da Silva Vicente, Estudante
Hermínio Furtado Pontes, Sacerdote
Humberto Maria Pereira, Industrial
Irene Maria da Câmara Pereira, Educadora
Infantil
Jacinto da Câmara Soares de Albergaria,
Químico M.I.T.
Jacinto Manuel Monteiro da Câmara Pereira,
Sacerdote
Jacinto Correia Raposo, Empregado de
escritório
J. da Costa Gravito, Estufeiro
Jaime José Gama, Estudante
Jaime Manuel Gamboa de Melo Cabral, Estudante
João Silvestre, Advogado
João José Lemos Vieira Custódio, Empregado de
escritório
João Carlos da Silva Gravito, Trabalhador
rural
João Marques, Empregado industrial
João Batista da Silva, Pintor de construção
civil
João Carreiro, Trabalhador rural
João de Oliveira Correia Rebelo, Arquitecto
João Cabral, Trabalhador rural
José Dias, Trabalhador rural
Joaquim da Costa Pontes, Pintor da construção
civil
José Manuel Leão Toste Rego, Estudante
José Luís Vasconcelos Brandão da Luz,
Estudante
José Manuel San-Bento Menezes, Estudante
José Manuel César Ramos, Médico
José Manuel Pacheco Rego Costa, Estudante
José Luís da Cunha Medeiros Melo, Estudante
José Jacinto Almeida Vasconcelos Raposo,
Estudante
José de Medeiros, Empregado comercial
José Tavares, Empregado comercial
José Raposo, Estufador
José Inácio Soares, Carpinteiro
José Soares Miguel, Comerciante
José Pereira Botelho Riley, Proprietário
José Joaquim Vaz Monteiro de Vasconcelos
Franco, Funcionário público
José Jorge de Magalhães Rodrigues, Estudante
José da Silva Vieira de faria, Estudante
José Jorge Oliveira Almeida, Estudante
José Carlos Cordeiro, Padeiro
José Jorge de Sousa Melo, Estudante
José Manuel Bernardo Cabral, Comerciante
Jorge do Nascimento Lopes, Empregado de
escritório
Jorge Manuel Ferreira de Sousa Lima, Estudante
José Manuel de Medeiros Cosme, Empregado de
escritório
José Luís Vasconcelos Nunes, Estudante
José Luís Alves Mota, Sacerdote
Júlio Diogo Soromenho Quintino, Funcionário
público
João Sérgio Furtado, Empregado de escritório
João Vaz de Medeiros, Comerciante
Leonel Moniz de faria, Padeiro
Luís Bernardo Vasconcelos Freitas de Oliveira,
Estudante
Luís Manuel Bettencourt Lopes de Oliveira,
Estudante
Luís Manuel da Ponte Soares Ferreira,
Estudante
Luís Manuel da Silva Nunes Mascarenhas,
Estudante
Luís Óscar Toste Rego, Engenheiro Civil
Maria dos Anjos Pereira Ponte, Doméstica
Madalena Maria de Sousa e Silva Pereira,
Doméstica
Manuel António Mota de Alcântara, Agente
Técnico de Engenharia
Manuel Barbosa, Advogado
Manuel de Medeiros Soledade Jr., Marceneiro
Manuel Cabral, Trabalhador rural
Manuel António Ferreira Quental Frias
Coutinho, Estudante
Manuel Chitas de Brito, Piloto aviador
Manuel Cordeiro da Costa Silva, Estofador
Manuel da Ponte Medeiros, Trabalhador rural
Manuel Pereira de Medeiros, Jornalista
Manuel António Pimentel, Sacerdote
Manuel Rocha Botelho Januário, Motorista
Manuel de Medeiros Brilhante, Empregado
industrial
Manuel dos Santos Fonseca, Trabalhador rural
Manuel da Silva, Trabalhador rural
Manuel Luís de Sousa Ferreira, Empregado
comercial
Maria de Fátima Moniz Gouveia, Estudante
Maria Leonor Soares de Andrade Botelho,
Estudante
Maria Isabel de Vasconcelos Freitas de
Oliveira, Estudante
Maria Leonor Lima Teixeira, Estudante
Maria Helena de Araújo Soares, Estudante
Miguel Almeida Jr., Oficial do Exército
reformado
Maria Natália Arruda Correia Rebelo, Doméstica
Maria Margarida Morais da Ponte Ferreira,
Estudante
Maria Manuela Franca Machado, Estudante
Maria de Lourdes Franca Machado, Jornalista
Maria Rosa de Sousa Furtado Lopes, Estudante
Maria Francisca Cabral Moreira, Estudante
Maria Clara Moniz Gouveia, Estudante
Maria Eduarda Pereira de Oliveira, Doméstica
Maria Sara da Silva Faria, Doméstica
Maria da Conceição Moreira Batista, Estudante
Maria de Fátima Monteiro Gago da Câmara,
Estudante
Maria José Figueiredo Carvalho, Estudante
Maria da Conceição Borges Coutinho, Professora
do Ensino Particular
Maria Luís da Silveira Whytton de Terra Soares
de Albergaria, doméstica
Maria Alba de Abreu Quintino, Funcionária
pública
Maria José Morgado Tapia, Prof. do Ciclo
Preparatório
Mariana da Câmara Marques Pinto, Doméstica
Mário António da Mota Mesquita, Estudante
Mário Alves Martins, Estudante
Moisés da Silva Carreiro, Trabalhador rural
Nair Odette da Câmara Borges, Professora do
Ensino Liceal
Nair Odette da Silva Pacheco, Estudante
Natália Maria Pereira da Silva, Estudante
Nicolino Carvalho, Mecânico
Norberto Ferreira Borges, Carpinteiro
Óscar Carreiro de Sousa Silva, Empregado
Comercial
Orlando José de Campos Marques Pinto, Prof.
Ensino Particular
Ramiro Ferreira, Guarda Fios
Raul Correia da Silva, Empregado comercial
Rosa Manuel de Sousa Gouveia, Doméstica
Ruy Guilherme de Morais, Jornalista
Samuel Moniz Faria, Trabalhador rural
Serafina da Costa Pereira, doméstica
Silvano Neves Pereira, Médico
Silvino Amaral, Sacerdote
Susete Simão Arrais Dimas de Almeida,
Doméstica
Urbano de Melo Lopes, Empregado de escritório
Vasco Bernardo, Empregado comercial
Veríssimo Freitas da Silva Borges, Estudante
Weber Machado Pereira, Sacerdote
A presente edição deste documento destina-se
às pessoas que a subscreveram até 31 de Março de 1969. Continua a
recolha de adesões, fazendo-se oportunamente a sua edição definitiva.
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