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Ditadura:
Declaração de Ponta Delgada
Ernesto Augusto de Melo Antunes
nasce em Lisboa, a 2 de Outubro de 1933, no seio de uma família católica
e conservadora. Filho de um oficial do Exército, acompanha o pai nas
suas colocações em Angola, Aveiro, Faro e Tavira. A pressão familiar é
também determinante na escolha da carreira, ingressando na Escola do
Exército em 1953, na arma de Artilharia.
Leitor compulsivo, complementa a
sua formação frequentando aulas de História e Direito na Universidade de
Lisboa, com o objectivo de se manter actualizado em termos
bibliográficos e pedagógicos. A sua inquietação intelectual leva-o a
Marx e outros “autores malditos” da literatura proibida pelo regime que
deixam uma marca indelével no seu pensamento e acção. Uma ousadia que, a
curto prazo, tem um elevado preço: uma ameaça de expulsão da Escola do
Exército e um “exílio” nos Açores.
Colocado, como alferes, em S.
Miguel (Açores), em finais de 1957, a experiência revela-se determinante
quer em termos pessoais quer políticos. É aí que conhece a sua primeira
mulher e mãe dos seus três filhos. Participa activa e frequentemente em
reuniões político-culturais sob a alçada da figura tutelar do
oposicionista António Borges Coutinho. Da intensa militância cultural e
política então desenvolvida, atentamente acompanhada pela Polícia
Política da Ditadura, destaca-se a constituição, em 1962, com Manuel
Alegre, das Juntas de Acção Patriótica dos Açores, verdadeiros núcleos
de resistência ao regime empenhados numa acção de esclarecimento e
propaganda política. O seu projecto mais arrojado traduziu-se numa
tentativa de, com o apoio do General Humberto Delgado, promover um
levantamento militar e popular nos Açores. O plano falhou porque,
recorda, Delgado não cumpriu a sua parte: “nós passámos dias a olhar
para o horizonte à espera do D. Sebastião, que nunca apareceu. Não houve
manhã de nevoeiro”.
Em 1969, opta pela via
legalista, apresentando a sua candidatura pela CDE de Ponta Delgada. Uma
pretensão que, apesar de vários oficiais integrarem as listas da União
Nacional, o regime lhe recusa alegando a sua condição castrense.
Da sua intervenção política
nesses anos, fica um dos seus primeiros escritos de vulto, a
Declaração de Ponta Delgada, documento base da campanha eleitoral de
1969. |