|
Descolonização:
O Movimento, as Forças Armadas e a Nação
Ernesto Melo Antunes é
mobilizado em 1963, dois anos após a eclosão da guerra colonial, para a
primeira de três comissões de serviço que cumprirá em Angola. A
experiência revela-se central na formação da sua consciência política e
no desenvolvimento do seu pensamento anti-colonialista,
alicerçando
convicções e princípios
que
tinha absorvido por via livresca, afirmando, posteriormente, ter
combatido do “lado errado da guerra”.
Colocado no RAL4, em Leiria,
depois de concluída a terceira comissão em África, envolve-se na
elaboração do Programa do Partido Socialista. Diversa é a sua posição
relativamente ao movimento dos capitães, que dá os seus primeiros passos
no final desse Verão de 1973, mantendo uma desconfiada distância, porque
pouco identificado com a natureza corporativa do processo
reivindicativo. Será apenas quando a feição do movimento se começa a
alterar, no sentido da politização, que, pela primeira vez, participa
numa reunião do Movimento (Fevereiro de 1974). A sua sólida formação
doutrinária e consistência política é notada, tendo sido designado para
coordenar a equipa responsável pela elaboração de um programa político.
O trabalho da equipa terá como ponto de partida o manifesto O
Movimento, as Forças Armadas e a Nação, onde Melo Antunes denuncia a
“crise que a nação atravessa”, decorrente da política colonial do
regime, e expressa abertamente a ideia de que “a solução dos problemas
ultramarinos é política e não militar”. Uma posição polémica, geradora
de tensões no seio do próprio movimento, mas que catapulta Melo Antunes
como seu ideólogo e doutrinador.
Derrubada a Ditadura, Melo
Antunes faz da descolonização a sua principal bandeira de batalha. Antes
de mais, exercendo pressões sobre o grupo encabeçado por António de
Spínola para que fosse reconhecido o direitos dos povos à
autodeterminação e independência. Depois, desenvolvendo esforços junto
dos movimentos de libertação para alcançar uma plataforma de
entendimento. Independentemente de todas as outras figuras envolvidas no
processo, Melo Antunes é o principal responsável pelos complexos
processos de descolonização de Moçambique e Angola. |