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Democratização:
Documento
dos Nove
Ernesto Melo Antunes teve um
papel insubstituível na construção da democracia portuguesa, estando na
primeira linha do processo de decisão política durante todo o complexo
processo revolucionário.
Membro da Comissão Coordenadora
do MFA, conselheiro de Estado, integra os II e III Governos provisórios
como ministro sem pasta. Designado conselheiro da Revolução em Março de
1975 (cargo que mantém até à extinção deste organismo na sequência da
revisão constitucional de 1982), ocupa a pasta dos Negócios Estrangeiros
nos IV e VI Governos Provisórios (de Março a Agosto de 1975 e de
Setembro de 1975 a Julho de 1976, respectivamente).
No auge da luta
político-ideológica do Verão Quente de 1975, Melo Antunes produz
o Documento dos Nove (7 de Agosto de 1975), um programa de
esquerda, postulando uma terceira via, um caminho original que
rejeita o modelo da Europa de Leste e da social-democracia de vários
países da Europa Ocidental mas não coloca em xeque a democracia
pluralista. O Documento dos Nove teve efeitos imprevisíveis quer
no campo militar quer no civil, constituindo um pólo agregador de todos
os que, insatisfeitos com a crescente hegemonia do PCP e do
gonçalvismo, preconizavam uma alteração no rumo tomado pela
revolução.
Finalmente, em plena crise do
25 de Novembro, numa ousada intervenção televisiva e perante as
vozes que queriam ilegalizar o Partido Comunista, Melo Antunes apresenta
este partido como indispensável à consolidação da democracia em
Portugal. Uma posição que lhe custará inimizades e incompreensões que o
acompanharão até ao final da vida, mas que lhe conferirão o estatuto de
um dos obreiros centrais da democracia portuguesa.
Aprovado o novo texto
constitucional, é designado presidente da Comissão Constitucional
antecessora do Tribunal Constitucional, o que lhe permite acompanhar de
perto a evolução política nacional. Todos quanto passaram pela Comissão
recordam o brilhantismo na direcção dos trabalhos, o sentido de diálogo
e a capacidade de participação em debates jurídicos complexos, com
professores universitários e juízes.
Finalmente, e ainda que num
registo mais discreto, prossegue a sua actividade politica enquanto
Conselheiro de Estado, no segundo mandato do Presidente Ramalho Eanes e
durante toda a Presidência de Jorge Sampaio.
Em 1991, passa à reforma e adere
formalmente ao Partido Socialista. |