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Desenvolvimento:
Programa de Política Económico-social
O
desenvolvimento económico-social constituiu um dos vectores fundamentais
do Programa do MFA. É nesse sentido que, em Outubro de 1974, Melo
Antunes é designado, pelo III Governo Provisório, coordenador de um
grupo de trabalho constituído com a finalidade de elaborar um plano de
acção económico-social. Apesar de integrar algumas figuras cimeiras do
pensamento económico e social português da época (Rui Vilar, Silva
Lopes, Maria de Lurdes Pintasilgo e Vítor Constâncio), o documento final
desta equipa – o Programa de Política Económica e Social - ficará
conhecido como o Plano Melo Antunes. Aprovado em Conselho de
Ministros a 7 de Fevereiro de 1975, o plano prevê o controlo dos grandes
meios de produção através de uma participação do Estado de 51% nos
principais sectores industriais e nas instituições financeiras. Um
projecto polémico, gerador de profundas tensões no seio do próprio
Movimento das Forças Armadas, que o 11 de Março acabará por
inviabilizar.
Nomeado
Ministro dos Negócios Estrangeiros do IV Governo Provisório, Melo
Antunes faz da luta por uma nova ordem moral e económica, agora no plano
internacional, uma das linhas estratégicas na política externa
portuguesa. Procurando tirar partido da posição de Portugal no contexto
europeu e do seu papel nos processos de descolonização, desenvolve
múltiplos esforços na promoção do diálogo Norte-Sul e de aproximação aos
países não-alinhados e do chamado Terceiro Mundo.
A complexa
situação do Portugal revolucionário exige-lhe também uma atenção
especial à imagem do país na ordem internacional e à obtenção de apoios
económicos. Uma missão difícil, num quadro internacional marcado pela
guerra fria, em face das reticências e da crescente desconfiança das
principais potências ocidentais quanto aos rumos do processo político
português e dos receios quanto à possibilidade de Portugal se
transformar num Cavalo de Tróia no seio da Nato.
De acordo
com o próprio, foram cinco as linhas da sua política externa enquanto
Ministro dos Negócios Estrangeiros: defesa da independência nacional no
quadro do sistema internacional; diversificação das relações políticas,
diplomáticas, económicas e culturais, procurando escapar à hegemonia das
grandes potências; recurso ao derrube do fascismo e à descolonização
como fundamentos do prestígio e da autoridade moral que pudessem serem
utilizados no plano internacional na procura de uma ordem mais justa e
equilibrada (desarmamento, fim do nuclear e da política de blocos, paz);
definição de um estatuto de neutralidade na Europa e no mundo;
desenvolvimento de um novo tipo de relações com as antigas colónias,
baseado no respeito pelo princípio da não-ingerência, da igualdade, do
respeito recíproco.
Às preocupações com o
desenvolvimento, Melo Antunes sempre aliou a questão da justiça social
sendo por isso convidado a trabalhar na UNESCO, primeiro enquanto
consultor (1984) e depois como subdirector-geral (1986-1988). É numa das
suas frequentes deslocações de trabalho no âmbito da UNESCO que conhece
Maria José de Souza Pereira, com quem virá a casar no Verão de 1997. O
último degrau na hierarquia desta prestigiante organização internacional
só não foi transposto dada as dificuldades em obter o apoio do governo
português (1992). |