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PERFIL DE ERNESTO MELO ANTUNES
Militar,
pensador, estadista, Melo Antunes (1933-1999) foi sobretudo um cidadão
comprometido que deixou a sua marca e testemunho em diferentes momentos
do Século XX português. Primeiro, em plena ditadura, ao tentar
apresentar-se como candidato oposicionista (na lista da CDE) às eleições
legislativas de 1969. Depois, ao aderir ao Movimento dos Capitães e
participar activamente na conspiração que levou ao derrube do regime.
Considerado, desde cedo, como um dos mais politizados e capazes
elementos do grupo, é incumbindo de preparar o Programa do Movimento das
Forças Armadas anunciado ao país na madrugada de 26 de Abril de 1974.
Evocar
Ernesto Melo Antunes é também evocar Abril, cujo 35 aniversário se
celebra este ano. Membro da Comissão Coordenadora do Programa do MFA e
conselheiro de Estado (1974-5), assume sucessivamente responsabilidades
governativas nos II, III, IV e VI Governos Provisórios, inicialmente
como ministro sem pasta e depois dos Negócios Estrangeiros. Algumas das
questões centrais da revolução portuguesa – como a descolonização ou o
debate em torno do modelo económico e social a instaurar – não são
compreensíveis sem Ernesto Melo Antunes.
Autor do
Documento dos Nove, Ernesto Melo Antunes é um dos protagonistas do
verão quente de 1975 e uma peça chave para entender o 25 de
Novembro e o fim do ciclo revolucionário. Conselheiro da Revolução,
durante toda a sua vigência (1975-1982), dá um importante contributo
para a consolidação democrática quer como conselheiro de Estado (durante
as Presidências de Ramalho Eanes e Jorge Sampaio) quer como presidente
da Comissão Constitucional, antecessora do Tribunal Constitucional
(1976-1983).
Homem de cultura e de forte consciência
cívica, Ernesto Melo Antunes é uma figura central da História
Contemporânea portuguesa que curiosa
e inexplicavelmente, continua a ser um desconhecido para a maioria dos
portugueses.
Nesse sentido o
Fórum
Liberdade e Coerência Cívica
– O exemplo de Ernesto Melo Antunes na História Contemporânea
Portuguesa,
propõe-se analisar, com o contributo de
académicos, especialistas, mas também de personalidades que o conheceram
e acompanharam em diferentes momentos e circunstâncias, o percurso de
Ernesto Melo Antunes na sua dimensão pública e de participação cívica.
Um debate, que se pretende multidisciplinar e plural, alargado a todos
os meios, académicos e não académicos, e a diferente grupos etários. |